A sessão das 17:00h de sábado (24/10) da Première Brasil contou com documentários que retratam o universo carcerário: o curta Visita Íntima, de Joana Nin, e o longa Missionários, de Cleisson Vidal e Andréa Prates.
As personagens de Visita Íntima vivem do lado de fora das grades. São mulheres livres que envolveram-se com homens cumprindo pena. O filme não mostra o interior da cadeia, mas as personagens vivem o cotidiano da prisão quase tão intensamente quanto os presidiários. Estão sujeitas a revistas humilhantes, ao tempo restrito para ficar com seus companheiros e à exposição de sua intimidade. Apesar de deixarem bem claro o sofrimento gerado por esses constrangimentos, são mulheres cheias de sonhos, muitas vivendo um ideal romântico. Em um dado momento, uma delas mostra a carta escrita por seu namorado: uma folha com muitos metros de comprimento, coberta de desenhos e declarações de amor.
O filme foi rodado na Penitenciária Central do Estado, em Piraquara, a 40km de Curitiba, e já arrebatou vários prêmios em festivais no Brasil, incluindo o Grande Prêmio do Júri em Gramado. Atualmente, Joana Nin, que na exibição de sábado dedicou o curta às personagens, está captando recursos para transformá-lo em um longa-metragem, que deverá se chamar Cativas.
Já Missionários se passa do lado de dentro das grades. Três amigos: Luciano, André e Paulo Giovani, que têm em comum o gosto pela Legião Urbana, decidem formar uma banda dentro do complexo penitenciário da Frei Caneca – "Missionários do Rock". A banda ganhou exposição e foi dando oportunidades para seus componentes. Através dos depoimentos, vemos como a banda mudou suas atitudes – dois dos personagens tentaram fugir no início do período de encarceramento. Mas também fica claro o desrespeito aos direitos fundamentais dos presidiários. A diretora Andréa Prates falou sobre essa questão em seu discurso, enfatizando as dificuldades colocadas pelas autoridades às atividades da banda, sempre consideradas um “favor especial”.
Durante as filmagens, Luciano foi transferido para o regime semi-aberto. O alívio não durou muito tempo. Poucos dias depois, foi morto no atentado ao ex-traficante Escadinha, quando pegava carona com o antigo amigo de presídio. Luciano foi lembrado pelos companheiros de banda, presentes na exibição do filme. (Felipe Sholl)
Confira como foi a sessão dos filmes no Odeon.
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