| Panorama Mundial |
| A frieza dos últimos dias de Kurt Cobain |
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No filme de Gus Van Sant, Kurt Cobain chama-se Blake (Michael Pitt, de Hedwig e Os Sonhadores), é destro e casado com Blackie, e não com Courtney Love. Kim Gordon não é a baixista do Sonic Youth e musa do no wave, e sim uma executiva de gravadora – que, se tivesse nome, certamente não seria Geffen e muito menos Subpop Records.
A nota final de Last Days pode até afirmar que o filme é apenas “inspirado” nos últimos dias de Kurt Cobain (que morreu em 5 de abril de 1994), mas é óbvio que a história é bem mais que uma leve inspiração.
Last Days completa a trilogia de Gus Van Sant sobre tragédias americanas, iniciada por Gerry, filme de 2002 que conta a história de dois amigos que se perdem no deserto e seguida por Elefante, de 2003, também “inspirado” numa tragédia: o massacre da escola Columbine, nos Estados Unidos.
Em Last Days, talvez seja a frieza, bastante característica do diretor, o que causa bastante incômodo, ou talvez seja a própria condição atingida por Kurt Cobain, que havia fugido de uma clínica de reabilitação; talvez, ainda, seja a sensação de que o filme nada mais é que uma colagem de cenas que se baseiam na profunda degradação de Kurt Cobain, ícone máximo da década de 1990 e que pode, exageros à parte, ser comparado a John Lennon.
Gus Van Sant mergulha seu Last Days num hermetismo aparentemente sem propósito. Infelizmente, a vida e mesmo os últimos dias de Kurt Cobain poderiam ter sido infinitamente melhor explorados pelo diretor. É claro que o filme vale a pena para os fãs do Nirvana, mas que estes não esperem algo tão pop quanto seu líder. (Isabela Alzuguir)
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