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Panorama Mundial
O cinema de política e humanidades de Tavernier
 

O cinema de política e humanidades de Bertrand Tavernier volta a atacar.  Com mais de duas horas de passeio pelo Camboja, Holy Lola é mais um dos filmes típicos do engajado diretor francês. Desta vez, a questão é a política de adoção em países asiáticos vítimas da guerra civil. As crianças abandonadas ou que perderam a família nos conflitos entram em um programa de adoção promovido pelo governo de seu país e de países da Europa.

Em Holy Lola, o diretor explora um grupo de franceses que vão ao Camboja em busca de crianças. O processo é burocrático, como o filme bem demonstra na sua própria realização, com seqüências longas até o tão esperado momento do carimbo nos documentos.

O filme começa mostrando um lugar plácido muito agradável, mas depois mergulha na tempestade das monções, como se ao final de tudo o espectador pudesse avaliar como seria melhor para aquelas crianças, que vivem em condições difíceis, serem adotadas por cidadãos que vivem rodeados de beleza e paz. Não que isso não seja válido. De fato, os franceses chegam ao Camboja dispostos a entregar todo o amor que têm às crianças.

De fato, a importância das atitudes tomadas pelo grupo de franceses, ou seja, passar o tempo necessário no Camboja, longe de suas vidas, de seus trabalhos, enfrentando dificuldades emocionais, burocracia e corrupção locais, é uma proposta que está para além do assistencialismo. Mas a perspectiva social e o comportamento político não bastam para fazer um filme.

A idéia de incorporar a burocracia ao próprio filme faz com que Holy Lola se perca na narrativa, tantas são as idas e voltas na história, e tanto é o cansaço dos personagens em busca da criança para ser adotada. O filme se esgota com a eterna espera pelos papéis da adoção, pelas brigas entre os casais, enfim, esgota-se em si mesmo, com ajuda da trilha exacerbada em dor e sofrimento de Henrie Texie.

Contudo, Holy Lola vale à pena ser visto, seja por aqueles que querem conhecer outras realidades, ou para quem admira a obra de Tavernier, ou mesmo por quem acredita que fazer cinema humanista é retratar de longe e de passagem as dificuldades em lugares distantes da Europa.


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