| Panorama Mundial |
| Buena Vista underground |
| |
“Eu não quero esperar até os 90 anos para ser descoberto”. Essa fala reflete os sonhos dos personagens principais de Habana Blues (Cuba/Espanha/França, 2005). Ruy e Tito, líderes de um grupo musical de Havana, buscam a todo custo uma maneira de fechar contrato com uma gravadora internacional e sair de Cuba, solução para terem seu trabalho reconhecido. A alusão a Buena Vista Social Club, documentário de Wim Wenders que revelou ao mundo talentos da velha guarda cubana, não é gratuita. O filme de Benito Zambrano, embora ficcional, também faz um panorama de uma música cubana desconhecida do público internacional. Mas dessa vez o foco é na cena underground, grupos jovens misturando influências estrangeiras com a música local.
Com a chegada em Havana de Marta e Lorenzo, dois produtores espanhóis, Tito e Ruy vislumbram a oportunidade dos seus sonhos. Enquanto eles lutam pelo reconhecimento, acompanhamos a história de seus amigos e familiares. Em comum, todos têm o desejo de sair da ilha, seja em busca de um sonho ou só de uma vida melhor. Caridad, a esposa de Ruy, é uma mulher pé-no-chão, que sustenta a família com a venda de seu artesanato em feiras. O casamento está nos seus últimos momentos e ela se ressente da postura de Ruy, que sempre deixou a família em segundo plano para perseguir seu objetivo.
 |
|
O diretor Zambrano viveu em Cuba muitos anos, desde que cursou a Escola Internacional de Cinema, de San Antonio de los Baños. Sua visão do país é muito emocional, amorosa com o povo e a música cubanas, mas ao mesmo tempo crítica da situação social. Da precariedade dos serviços básicos, tratada com bom humor na música tema, a imagens da pobreza do povo local, a dura realidade da população cubana é uma parte viva do filme. É o motor, por exemplo, do desejo de Caridad de buscar uma outra vida nos Estados Unidos, quando vê sua única forma de sustento descer pelo ralo ao perder a licença para vender artesanato.
A música, verdadeira personagem principal do filme, está presente não só na vida dos protagonistas, mas também nas ruas de Havana, percorridas pelos músicos e pelos produtores espanhóis. Os grupos que tocam para os espanhóis são todos realmente tirados da cena alternativa da cidade, e revelam para o espectador um lado da música cubana bem distante daquele mostrado em Buena Vista..., variando do punk rock ao hip hop.(Felipe Sholl)
|
|
Versão para impressão:  |
|
|
|
|