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Panorama Mundial
Humanizando os homens-bomba
 

Humanizar os homens-bomba é, além de algo que nunca antes havia sido feito no cinema (ao menos não com projeção internacional), o objetivo atingido com competência por Paradise Now, concorrente oficial da Palestina ao próximo Oscar e que participou da competição oficial do Festival de Berlim de 2005, ganhando o prêmio da Anistia Internacional.

Ao contrário da maioria dos filmes que tratam do conflito entre palestinos e israelenses, Paradise Now não é um documentário. O filme mostra as mais tensas 48 horas das vidas de Khaled e Said, amigos de infância que são recrutados, sem quaisquer objeções, para realizar um atentado suicida em Tel Aviv. A operação, entretanto, não ocorre conforme o planejado, e a partir daí inicia-se uma jornada de questionamentos, através da qual pode-se tanto compreender os valores que levam jovens a cometerem suicídio em nome de uma causa quanto questionar se esses atos valem a pena.

Palestino radicado na Holanda, o diretor Hany Abu-Assad pesquisou a questão dos homens-bomba por três a quatro anos antes de iniciar a produção de Paradise Now. Através de depoimentos de palestinos cujos atentados falharam, de conversas com pessoas que conheceram homens-bomba e de relatórios oficiais de Israel, Hany Abu-Assad elimina, sem tomar qualquer partido, o caráter abstrato dos homens-bomba.

Paradise Now não avaliza a imagem de suicidas loucos e inescrupulosos taxada pela mídia aos homens-bomba e tampouco incentiva ou mesmo concorda com qualquer tipo de violência. É um longa-metragem que polemiza e não se posiciona de forma prepotente a fim de dar soluções simples a um conflito que já dura tantas décadas, mas sim leva o espectador a enxergar o outro lado da moeda.
 
Mesmo com o evidente trocadilho com o título de Apocalypse Now, Paradise Now é um filme sério, maduro e ao mesmo tempo de deglutição aparentemente fácil. A digestão, entretanto, é muito mais complexa, já que o fim do longa-metragem leva a uma profunda reflexão. Que bom. Já estava mais do que na hora de enxergarmos o conflito Palestina x Israel de uma forma diferente daquela imposta pela mídia. (Isabela Vecchi Alzuguir)


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